Andando de ônibus até o trabalho, enquanto ouvia um bate papo de duas militantes de um certo partido de minha cidade, me deparei com uma sensação estranha, um aperto... e, à medida que eu ouvia mais e mais absurdos, aquela sensação ia aumentando... não era uma dor física; era uma dor moral, nos meus próprios princípios.
As mulheres conversavam sobre política, cujos vários sinônimos são politicagem, auto-benefício, corrupção, malandragem, injustiça, superfaturamento, nepotismo, safadeza...ouvi coisas que me enojaram; a sujeira ia sendo despejada e me contaminava.
O aperto, a sensação estranha foram consequências de uma percepção horrorosa: vivemos em uma máquina que age pelas entrelinhas incessantemente... pelas NOSSAS entrelinhas. A verdade é que não percebemos a real dimensão do bicho papão pelo qual estamos envolvidos.
A política levada ao pé da letra é algo extremamente necessário. Ela é "a arte de administrar a sociedade"; sem ela seríamos bárbaros sem nenhum nível de organização. Porém somos bárbaros porque a transformamos em algo mais ruim do que bom, em algo que pouco funciona e, o pior, só gera gastos. Como no filme Matrix, estamos vivendo num sistema que não conhecemos; achamos que as coisas estão indo um pouco melhor enquanto tem algo bem maior, constituído de interesses particulares, delimitando nosso espaço de ação, tomando conta da maior parte do que nos é de direito. Somos controlados como fantoches e nem percebemos.
Tem muito lixo e sujeira correndo pelos ralos das prefeituras, governos do estado e federal.
